15/10/15

ALIMENTAÇÃO em Idade Escolar

 "A criança que passa para o aprendizado escolar é mais solicitada pelos seus órgãos nervosos e sensoriais. Deve receber uma alimentação rica em raízes, como cenoura, beterraba, nabo, rabanete, raíz-forte e certas nozes (especialmente avelã).




 Na idade escolar podemos distinguir as crianças, de acordo com o seu temperamento, em quatro tipos fundamentais:

Criança Colérica: Fogosa, forte e dominadora, ousada até agressiva, de andar forte e compassado, que reage às oposições e é auto-suficiente. Para essas crianças a alimentação rica em folhas e talos é importante; não se deve dar aveia, e sim centeio e frutas. Também raízes, de preferência, cruas: cenoura, aipo e nabo. Deverão receber carne e leguminosas (ervilha, feijão, lentilhas) em poucas quantidades.

Criança Sanguínea: Leve, aérea, "borboleteante", distraída, esperta e ativa, em geral sem paciência para comer. Essascrianças deverão receber trigo, centeio, farinhas, fubá*, nozes, e mesmo carne para se tornarem mais ligadas à terra. Os doces devem ser evitados. As substâncias amargas são adequadas.

Criança Fleumática: Indolente, vagarosa, muitas vezes linfática, alegre e satisfeita de si e da vida, e tem muito interesse pela comida. Para essas crianças reduzimos os hidratos de carbono e as gorduras. Os temperos para elas deverão ser estimulantes e desidratantes. O leite também não é muito recomendado, mas quando dado , deve ser acidificado. Frutas ácidas e limão são muito indicadas; vegetais, principalmente raízes, e frutas (menos banana e abacate). Dos cereais podemos dar aveia e arroz temperado com curry, principalmente.

Criança Melancólica: Terrestre, muito voltada para si, de aspecto precoce, pálida e triste, com dificuldade de comunicação, "sofredora" e sonhadora. A alimentação dessa criança deverá constar de frutos doces, mel, cereais (usar bastante aveia e cevada), vegetais de folhas, frutos e flores, condimentos adequados, um pouco de carne branca, dieta mista e estimulante. Uma alimentação pesada não lhe fará bem."

*farinha de milho

"Alimentação em diferentes situações de vida e idades"  Gudrun Burkhard
 













Ex-diretor do DSM, a 'bíblia' da psiquiatria, admite: "Transformamos problemas cotidianos em transtornos mentais"

Allen Frances (Nova York, 1942) dirigiu durante anos o Manual Diagnóstico e Estatístico (DSM), documento que define e descreve as diferentes doenças mentais. Esse manual, considerado a bíblia dos psiquiatras, é revisado periodicamente para ser adaptado aos avanços do conhecimento científico. Frances dirigiu a equipe que redigiu o DSM IV, ao qual se seguiu uma quinta revisão que ampliou enormemente o número de transtornos patológicos. Em seu livro Saving Normal (inédito no Brasil), ele faz uma autocrítica e questiona o fato de a principal referência acadêmica da psiquiatria contribuir para a crescente medicalização da vida.






No livro, o senhor faz um mea culpa, mas é ainda mais duro com o trabalho de seus colegas do DSM V. Por quê?
Fomos muito conservadores e só introduzimos [no DSM IV] dois dos 94 novos transtornos mentais sugeridos. Ao acabar, nos felicitamos, convencidos de que tínhamos feito um bom trabalho. Mas o DSM IV acabou sendo um dique frágil demais para frear o impulso agressivo e diabolicamente ardiloso das empresas farmacêuticas no sentido de introduzir novas entidades patológicas. Não soubemos nos antecipar ao poder dos laboratórios de fazer médicos, pais e pacientes acreditarem que o transtorno psiquiátrico é algo muito comum e de fácil solução. O resultado foi uma inflação diagnóstica que causa muito dano, especialmente na psiquiatria infantil. Agora, a ampliação de síndromes e patologias no DSM V vai transformar a atual inflação diagnóstica em hiperinflação.
Seremos todos considerados doentes mentais?
Algo assim. Há seis anos, encontrei amigos e colegas que tinham participado da última revisão e os vi tão entusiasmados que não pude senão recorrer à ironia: vocês ampliaram tanto a lista de patologias, eu disse a eles, que eu mesmo me reconheço em muitos desses transtornos. Com frequência me esqueço das coisas, de modo que certamente tenho uma demência em estágio preliminar; de vez em quando como muito, então provavelmente tenho a síndrome do comedor compulsivo; e, como quando minha mulher morreu a tristeza durou mais de uma semana e ainda me dói, devo ter caído em uma depressão. É absurdo. Criamos um sistema de diagnóstico que transforma problemas cotidianos e normais da vida em transtornos mentais.
Com a colaboração da indústria farmacêutica...
Os laboratórios estão enganando o público, fazendo acreditar que os problemas se resolvem com comprimidos.
É óbvio. Graças àqueles que lhes permitiram fazer publicidade de seus produtos, os laboratórios estão enganando o público, fazendo acreditar que os problemas se resolvem com comprimidos. Mas não é assim. Os fármacos são necessários e muito úteis em transtornos mentais severos e persistentes, que provocam uma grande incapacidade. Mas não ajudam nos problemas cotidianos, pelo contrário: o excesso de medicação causa mais danos que benefícios. Não existe tratamento mágico contra o mal-estar.
O que propõe para frear essa tendência?
Controlar melhor a indústria e educar de novo os médicos e a sociedade, que aceita de forma muito acrítica as facilidades oferecidas para se medicar, o que está provocando além do mais a aparição de um perigosíssimo mercado clandestino de fármacos psiquiátricos. Em meu país, 30% dos estudantes universitários e 10% dos do ensino médio compram fármacos no mercado ilegal. Há um tipo de narcótico que cria muita dependência e pode dar lugar a casos de overdose e morte. Atualmente, já há mais mortes por abuso de medicamentos do que por consumo de drogas.
Em 2009, um estudo realizado na Holanda concluiu que 34% das crianças entre 5 e 15 anos eram tratadas por hiperatividade e déficit de atenção. É crível que uma em cada três crianças seja hiperativa?
Claro que não. A incidência real está em torno de 2% a 3% da população infantil e, entretanto, 11% das crianças nos EUA estão diagnosticadas como tal e, no caso dos adolescentes homens, 20%, sendo que metade é tratada com fármacos. Outro dado surpreendente: entre as crianças em tratamento, mais de 10.000 têm menos de três anos! Isso é algo selvagem, desumano. Os melhores especialistas, aqueles que honestamente ajudaram a definir a patologia, estão horrorizados. Perdeu-se o controle.
E há tanta síndrome de Asperger como indicam as estatísticas sobre tratamentos psiquiátricos?
Esse foi um dos dois novos transtornos que incorporamos no DSM IV, e em pouco tempo o diagnóstico de autismo se triplicou. O mesmo ocorreu com a hiperatividade. Calculamos que, com os novos critérios, os diagnósticos aumentariam em 15%, mas houve uma mudança brusca a partir de 1997, quando os laboratórios lançaram no mercado fármacos novos e muito caros, e além disso puderam fazer publicidade. O diagnóstico se multiplicou por 40.
A influência dos laboratórios é evidente, mas um psiquiatra dificilmente prescreverá psicoestimulantes a uma criança sem pais angustiados que corram para o seu consultório, porque a professora disse que a criança não progride adequadamente, e eles temem que ela perca oportunidades de competir na vida. Até que ponto esses fatores culturais influenciam?
Os melhores especialistas, aqueles que honestamente ajudaram a definir a patologia, estão horrorizados. Perdeu-se o controle.
Sobre isto tenho três coisas a dizer. Primeiro, não há evidência em longo prazo de que a medicação contribua para melhorar os resultados escolares. Em curto prazo, pode acalmar a criança, inclusive ajudá-la a se concentrar melhor em suas tarefas. Mas em longo prazo esses benefícios não foram demonstrados. Segundo: estamos fazendo um experimento em grande escala com essas crianças, porque não sabemos que efeitos adversos esses fármacos podem ter com o passar do tempo. Assim como não nos ocorre receitar testosterona a uma criança para que renda mais no futebol, tampouco faz sentido tentar melhorar o rendimento escolar com fármacos. Terceiro: temos de aceitar que há diferenças entre as crianças e que nem todas cabem em um molde de normalidade que tornamos cada vez mais estreito. É muito importante que os pais protejam seus filhos, mas do excesso de medicação.
Na medicalização da vida, não influi também a cultura hedonista que busca o bem-estar a qualquer preço?
Os seres humanos são criaturas muito maleáveis. Sobrevivemos há milhões de anos graças a essa capacidade de confrontar a adversidade e nos sobrepor a ela. Agora mesmo, no Iraque ou na Síria, a vida pode ser um inferno. E entretanto as pessoas lutam para sobreviver. Se vivermos imersos em uma cultura que lança mão dos comprimidos diante de qualquer problema, vai se reduzir a nossa capacidade de confrontar o estresse e também a segurança em nós mesmos. Se esse comportamento se generalizar, a sociedade inteira se debilitará frente à adversidade. Além disso, quando tratamos um processo banal como se fosse uma enfermidade, diminuímos a dignidade de quem verdadeiramente a sofre.
E ser rotulado como alguém que sofre um transtorno mental não tem consequências também?
Muitas, e de fato a cada semana recebo emails de pais cujos filhos foram diagnosticados com um transtorno mental e estão desesperados por causa do preconceito que esse rótulo acarreta. É muito fácil fazer um diagnóstico errôneo, mas muito difícil reverter os danos que isso causa. Tanto no social como pelos efeitos adversos que o tratamento pode ter. Felizmente, está crescendo uma corrente crítica em relação a essas práticas. O próximo passo é conscientizar as pessoas de que remédio demais faz mal para a saúde.
Não vai ser fácil…
Certo, mas a mudança cultural é possível. Temos um exemplo magnífico: há 25 anos, nos EUA, 65% da população fumava. Agora, são menos de 20%. É um dos maiores avanços em saúde da história recente, e foi conseguido por uma mudança cultural. As fábricas de cigarro gastavam enormes somas de dinheiro para desinformar. O mesmo que ocorre agora com certos medicamentos psiquiátricos. Custou muito deslanchar as evidências científicas sobre o tabaco, mas, quando se conseguiu, a mudança foi muito rápida.
Nos últimos anos as autoridades sanitárias tomaram medidas para reduzir a pressão dos laboratórios sobre os médicos. Mas agora se deram conta de que podem influenciar o médico gerando demandas nos pacientes.
Há estudos que demonstram que, quando um paciente pede um medicamento, há 20 vezes mais possibilidades de ele ser prescrito do que se a decisão coubesse apenas ao médico. Na Austrália, alguns laboratórios exigiam pessoas de muito boa aparência para o cargo de visitador médico, porque haviam comprovado que gente bonita entrava com mais facilidade nos consultórios. A esse ponto chegamos. Agora temos de trabalhar para obter uma mudança de atitude nas pessoas.
Em que sentido?
Que em vez de ir ao médico em busca da pílula mágica para algo tenhamos uma atitude mais precavida. Que o normal seja que o paciente interrogue o médico cada vez que este receita algo. Perguntar por que prescreve, que benefícios traz, que efeitos adversos causará, se há outras alternativas. Se o paciente mostrar uma atitude resistente, é mais provável que os fármacos receitados a ele sejam justificados.
E também será preciso mudar hábitos.
Sim, e deixe-me lhe dizer um problema que observei. É preciso mudar os hábitos de sono! Vocês sofrem com uma grave falta de sono, e isso provoca ansiedade e irritabilidade. Jantar às 22h e ir dormir à meia-noite ou à 1h fazia sentido quando vocês faziam a sesta. O cérebro elimina toxinas à noite. Quem dorme pouco tem problemas, tanto físicos como psíquicos.

El País

16/07/15

AFINAL A MANTEIGA NÃO MATA!!!!

AFINAL A MANTEIGA NÃO MATA!!!!

SAIBA PORQUÊ NESTE ARTIGO QUE SAIU NA  E A REVISTA DO EXPRESSO


Publicado na Edicão 2225
20/Junho/2015
E A Revista do Expresso

13/07/15

 

" SOMOS O QUE COMEMOS "


Célebre frase proclamada por Hipócrates, Pai da Medicina

22/06/15

O Bébé com Diarreia

 



  Regra Geral:
 ELIMINAR qualquer LEITE, GORDURA e AÇÚCAR; 
 OFERECER  MUITOS LÍQUIDOS para beber:
  •  Chá de Cominho, Funcho e Anis sem açúcar
  • Chá Preto (fraco) e Camomila sem açúcar
  • Água

 Pelo menos um ou dois dias de uma dieta rigorosa:

500g de cenouras cozidas durante pelo menos duas horas ( ou 30 minutos na panela de pressão) num litro de àgua, juntando-lhe uma colher de chá de sal, peneirar duas vezes num passador e juntar água fervida até fazer um litro.

Desta sopa oferecer 5 ou mais biberões por dia 


No ou dia:
Substituir em cada biberão, 30ml de sopa de cenoura por 30ml de água de arroz;

No ou dia:
Juntar a cada biberão uma colher de sopa de leite;

No dia seguinte:
Oferece-se os biberões com metade de leite e outra metade com a mistura de sopa de cenoura e de água de arroz;

03/07/13

Do Equilibrio ao Ensino




«Um professor capaz de ensinar durante duas horas sem fazer as crianças rirem de algum modo é um mau professor, pois nunca possibilita que elas se dirijam à superfície do seu corpo. Um professor que não consegue ao menos comover subtilmente as crianças, de modo que elas entrem em si, também é um mau professor; pois falando-se em extremos, deve haver uma alternância entre o ambiente pleno de humor, quando as crianças riem - não é necessário chegar ao riso: elas devem divertir-se internamente - e o ambiente trágico, comovente, choroso - elas não precisam de chorar, mas têm de entrar em si. Eis o que é necessário: criar um ambiente anímico no ensino.»


Rudolf Steiner, excerto de uma conferência proferida em Stuttgart a 6 de Fevereiro de 1923, in Temperamentos e Alimentação (Editora Antroposófica)

24/06/13

excertos de uma entrevista feita à Dra. Manuela Tavares

Em que áreas é que a medicina convencional pode, eventualmente, ser a única alternativa? 
Em toda a medicina de urgência - as reanimações, as situações de enfarte do miocárdio e de insuficiência cardíaca, os comas, os acidentes com fracturas múltiplas, as infecções graves. 

E fora dessas situações? 
Em todas as situações crónicas, evolutivas, em que a pessoa vai sofrendo ao longo da vida, com o tipo de doença que "não mata mas mói", a medicina convencional tem armas pouco eficazes que obrigam uma pessoa a tomar medicamentos para toda a vida ou a fazer tratamentos com contrapartidas por vezes graves.  

Pode exemplificar?
Por exemplo, fazer anti-inflamatórios de maneira crónica, ou cortisona, vai naturalmente provocar reacções adversas no organismo, reacções que serão como uma segunda ou terceira doença, para além daquela(s) que a pessoa já tem. Não há dúvida de que é preciso encontrar outra maneira de tratar as coisas, que permita às pessoas conviverem com a sua doença de outra forma. É isto que eu procuro pois, sendo médica, a minha função é tratar as pessoas, de preferência sem lhes fazer mal. Uma das regras de Hipócrates é «primeiro, não fazer mal». 

E isso não acontece na medicina convencional?
Na medicina convencional acabamos sempre for fazer algum dano, pelo que é importante criar maneiras de tratar as pessoas sem lhes criar outros tipos de mal estar ou dependências. 

Nas situações que referiu, em que as pessoas precisam de tomar medicamentos para o resto da vida, é possível serem tratadas com homeopatia apenas durante um período de tempo? No caso de ser necessário tomar para sempre não há efeitos nefastos? 
Em muitos casos há uma série de problemáticas em que é possível tratar e melhorar bastante. Tenho alguns casos de pessoas asmáticas que melhoram o suficiente para, durante vários anos, não precisarem de tomar medicação. O que acontece é que, passados alguns anos, em situações de stress ou de mudanças drásticas, voltam a ter crises de asma. 

Mas, nesses casos, estamos descansados porque, mesmo que seja necessário fazer novamente uma medicação, a mesma não terá efeitos secundários.
Exactamente. 

***

Considera que a homeopatia, ao contrário da medicina convencional, é uma terapêutica que tenta tratar a pessoa no todo?
O médico da medicina convencional preocupa-se com aquilo que ele pode palpar, pesar, contar e medir; com a materialidade das coisas. Há matéria por detrás, ou não? Posso ver na análise ou não? Se não posso ver na análise ou no microscópio, então isso não existe, ou é para o psiquiatra. Agora, o que é um facto é que a pessoa sente-se doente, tem um problema, uma dor, ou perturbações a vários níveis, embora nada apareça quer na análise, quer no microscópio. Por isso, tem de ser vista de uma forma global. Uma grande parte da nossa saúde está no aspecto mental. Já os gregos diziam - e eles disseram tudo - mente sã em corpo são. Ora, a mente e o corpo têm que ser vistos como uma globalidade. Uma pessoa que teve um desgosto que não pôde chorar convenientemente, que tem uma situação diária de drama ou dificuldades conjugais, não pode ter uma mente sã e, obviamente, não pode ter um corpo são. O corpo vai começar a dar sinais de que as coisas não estão bem. Todos conhecemos, e existe cada vez mais na medicina convencional, uma coisa que é a psicossomática em que se descobriu, por exemplo, que a úlcera duodenal está intimamente relacionada com situações de stress. Muitas situações a nível reumatismal - artrites, fibromialgia, etc. - têm causas psicossomáticas. Não se podem tratar corpos sem, de alguma forma, tratar "mentes". 

Por isso, as suas primeiras consultas são bastante demoradas, preocupa-se em saber a história da pessoa. 
Exactamente. Numa primeira consulta com um adulto tem de se abordar muitos temas. É evidente que não tenho a veleidade de ficar logo a conhecer a pessoa. Muitas vezes, nem ao fim de duas, três ou vinte consultas, pois há núcleos em que não se pode tocar ou que eu, pelo menos, não me atrevo a tocar. Mas vou, a pouco e pouco, tendo noção de como reagem e quais as problemáticas subjacentes.

E quando se trata de crianças?
Nesses casos é evidente que eu só a conheço verdadeiramente e só posso tratá-la convenientemente quando conheço a família. Daí aquela ideia do médico de família, que já tratou a mãe e a avó, ter muito valor. Quantas vezes me acontece que as crianças vêm só acompanhadas pela mãe e só quando conheço o pai e o ambiente com os outros irmãos é que percebo certas situações. 


20/06/13

DIETA PÓS-PARTO



Trata-se de uma dieta laxante, não fermentativa e estimulante da lactação, evitando tudo o que seja diurético.





Alimentos que:  
 
Estimulam a lactação...
  • Cereais integrais (papas, aveia, trigo, arroz, etc.);
  • Pães (especialmente o centeio) e biscoitos integrais;
  • Leite acidificado e iogurte;
  • Legumes e verduras, especialmente cenoura ralada e couve-flor. Devem ser usadas equilibradamente, entre os tipos de raízes, folhas, flores e frutos. Raízes: cenoura, beterraba, etc. Folhas e talos: alface, espinafre, acelga, erva-doce, etc. Flores e frutos: couve-flor, abóbora, courgette etc;
  • Frutas doces (neutras ou laxantes);
  • Leite de amêndoa;
  • Chá para lactação (apenas 3 chávenas por dia) Composição: alcaravia, anis, funcho e urtiga;
  • Açúcar natural (mel, mascavado, melaço) com moderação;

Inibem a lactação...  
  • Salsa, aipo, limão, salva;

Alguns conselhos:
  • Evitar batata, tomate e morango (para seu cultivo usa-se muito adubo e substâncias químicas);
  • Evitar produtos que contenham substâncias químicas como enlatados, conservas, refrigerantes, chocolates, etc,
  • Evitar molhos picantes, temperos fortes;

Sugestão:

Pequeno Almoço:
  • Chá para lactação (apenas uma chávena);
  • Leite à vontade;
  • Flocos de aveia com passas e leite;
  • Frutas laxantes (ameixa, figo, manga, laranja, nêspera ou uva) e não ácidas;
  • Pão integral, mel;
  • Levedura de cerveja em pó;

Evitar: café, chocolate e chá preto;
Usar açúcar natural com moderação;



Meio da Manha:
  • Sumo de frutas laxantes (ameixa, figo, manga, laranja, nêspera ou uva), ou leite de amêndoas, ou um iogurte natural;

Almoço:  
  • Saladas de folhas e legumes crus (temperados com azeite);
  • Sugestões: alface, agrião, almeirão, pepino, erva-doce picada, rabanete, etc. 
  • Espiga de milho ou arroz integral ou trigo ou cevada em grão

Evitar: a fécula (principalmente a batata) e as couves (repolho, couve-manteiga, brócolos, etc.); as leguminosas (nos três primeiros meses); o tomate, o chuchu, a salsa e o aipo; as proteínas animais (usar, se necessário, galinha do campo ou vitela; usar ovos de preferência caseiros ou orgânicos na preparação dos alimentos.

Sobremesa: frutas permitidas (não ácidas e laxantes)


Lanche:
  • Chá para lactação (uma chávena);
  • Leite com frutas e/ou cereais integrais e ou farelo de trigo;

Jantar:
  • Chá para lactação (uma chávena);
  • Leite;
  • Pão integral;
  • Sopas de legumes (evitar fécula);
  • Saladas


Recomendações especiais
  • Evitar anticoncepcionais orais ou injectáveis;
  • Evitar tensão e inquietação emocional e psíquica;
  • Evitar fumo ou álcool;
  • Para a mãe com pouco leite os seios devem ser esvaziados para estimular a lactação;
  • Durante a amamentação deve-se sempre vestir uma roupa de manga comprida e os seios devem ser cobertos com um pequeno pano de flanela, lã ou algodão. Desta forma, conserva-se o calor na região, evitando interferência na lactação;
  • Xarope de Espinheiro da Weleda - preparar um sumo pela manhã com água quente (1 tampa para um copo). Beber sempre um pouco depois de cada mamada;
  • Chá de amamentação da Weleda;
  • Repouso: durante o dia repor as horas de sono perdidas à noite, no total de 8 a 10 horas por dia.

"Emotional Healing with Homeopathy"







Em "Emotional Healing with Homeopathy", um clássico em Inglaterra, Peter Chappel defende que os traumas emocionais estão na base de vários problemas de saúde e podem revelar a chave da cura. Chappel demonstra a eficácia dos tratamentos homeopáticos em traumas vividos no nascimento e na infância, bem como em situações de guerra, violência, vícios (...). Este livro dá forma e substância ao tratamento homeopático, apoiando-se nas teorias antigas do Organon e na teoria da psicologia moderna que explica como a doença se apodera do corpo."

14/03/13

Mestres aos 6?


A propósito de um artigo que saiu recentemente no Expresso, acerca do crescente número de crianças que tomam ansiolíticos, divulgamos um excerto de uma entrevista dada por Eduardo Sá (que pode ser lida na íntegra aqui). Para que as coisas mudem, é urgente que comecemos a reflectir sobre a escola, a saúde e a família, integrados nesta sociedade. Há cada vez mais gente a aperceber-se de que algo vai mal (e não apenas no reino da Dinamarca, como disse Hamlet) e, mesmo que não partilhemos de uma só fé, é possível que nos aproxime o mesmo desejo: o de garantir uma infância saudável, segura e feliz a todas as crianças.



Disse um dia que as crianças estão em vias de extinção… 

Estão. Não digo isso pelo facto de o Governo e a oposição as terem transformado numa espécie de conta poupança reforma. Acho até divertido que se fale de tudo e mais alguma coisa nas várias campanhas – presidenciais incluídas – e as questões das crianças e a política de fundo para a família nem sequer exista. Portanto, o que é que a mim me preocupa? Preocupa-me esta ideia complemente absurda de crescimento, que dá a entender que as crianças têm que ser jovens tecnocratas de fraldas antes dos seis, têm que ser jovens tecnocratas de mochila depois dos seis e têm que ser jovens tecnocratas de sucesso ao entrarem na universidade para que, finalmente – como se fosse uma linha de montagem –, saíssem todos mestres. Mestre é a designação mais vergonhosa que eu já vi para um título académico, porque é um título que reconhecemos aos sábios.

Andamos a enganar os jovens? 

Isto é o cúmulo da publicidade enganosa. Explicar a miúdos com 22 e 23 anos que são mestres, de maneira a esperar que eles sejam, de preferência, ídolos antes dos 30… Anda toda a gente num registo eufórico e doente, que não percebe que as pessoas precisam de tempo para crescer. Acho engraçadíssimo quando dizem com orgulho que no jardim-de-infância há crianças que já sabem ler e escrever, mas não é isso que as torna mais sábias. Às vezes, as pessoas confundem macacos de imitação com crianças sábias. Acho engraçadíssimo quando as crianças não podem errar – eu julgava que errar era aprender. Mas não: as crianças têm que ter notas que são insufladas sabe Deus pelo quê. Vivem empanturradas em explicações. Se os pais puderem utilizar todo o tempo que a escola coloca ao serviço das famílias, elas podem passar 55 horas por semana na escola… Estamos a espatifar a infância das crianças, a espatifar a adolescência e, depois, com um olhar absolutamente cândido, dizemos que elas têm défices de atenção.

9 de Março de 2011 "Diário As Beiras"

29/01/13

NORMAS DIETÉTICAS PARA PACIENTES COM RINITE E BRONQUITE ALÉRGICAS

No caso da Rinite e Bronquite Alérgica (asma) é importante descobrir as causas que desencadeiam o fenómeno. Geralmente, trata-se de uma deficiente adaptação do organismo às circunstâncias externas, que podem ser de ordem:
  1.  Meteorológica 
  2.  Emocional 
  3.  Substâncias inaladas da atmosfera (como mofo, pólen, odores) 
  4.  Substâncias ingeridas 

Nos casos 1, 2 e 3 podemos ajudar com a alimentação, alterando a constituição alérgica e desta forma a predisposição do organismo a não metabolizar os fenómenos externos acima mencionados. No caso 4, especificamente, temos que eliminar a substância causadora da alergia, que muitas vezes leva anos até ser descoberta. Existem testes cutâneos que podem ser utilizados para detectar a causa da alergia, mas uma boa observação pode também ser muito útil. Neste caso a predisposição alérgica pode ser alterada. 

Entre os principais alérgenos, contam-se as substâncias proteicas: 
  • proteínas do reino animal como a carne e, entre estas, principalmente o peixe, os camarões e os “frutos do mar”, que podem provocar graves alergias cutâneas. 
  • as proteínas do leite podem, por vezes, levar à alergia, mas já os derivados do leite acidificado não dão problemas, devendo-se portanto, dar preferência a estes. 
  • as nozes (avelãs, castanhas, amendoins, caju etc.) e o coco, frequentemente provocam alergias.
  • o mesmo ocorre com o cacau e todos os seus derivados ou produtos nos quais é empregue como chocolate etc. 
  • o café também deveria ser evitado devido aos produtos colaterais provenientes da torrefacção. 
Certas frutas ácidas, como morangos, pêssegos, ananás, laranjas, podem produzir reacções alérgicas.
Para o asmático, nem sempre a verdura crua é bem tolerada, devendo, em certos casos, ser de uso moderado, dando-se preferência as verduras cozinhadas ou sumos das mesmas. 

O uso das folhas é extremamente importante, igualmente os cereais devido à quantidade de sílica que contém, são indispensáveis para o tratamento da constituição alérgica. Entre eles, preferimos a cevada, mas o arroz integral está também indicado. As féculas não parecem estar implicadas em manifestações alérgicas. 

Certos condimentos, especialmente da família das Liliáceas (cebolas, alho, alho-porro) e das Crucíferas (mostarda etc.), podem provocar alergias e devem ser evitados. Deve dar-se preferência aos condimentos da família das Labiadas (tomilho, rosmaninho, hortelã, orégão) e Umbelíferas (salsa, coentros) por não apresentarem problemas. 

O asmático deve tomar maior cuidado com a refeição da noite, pois um jantar leve poderá prevenir um ataque de asma durante a noite.

28/01/13

Vacinar ou não Vacinar, eis a questão?!

Uma das perguntas mais frequentes no Consultório está relacionada com a vacinação das crianças.



Por um lado, se é ou não obrigatória, e que tipo de documentação é exigível, por outro o que pensamos sobre o tema e se há alguma alternativa homeopática.
A resposta à primeira pergunta encontra-se no Programa Nacional de Vacinação 2012  "Todos os indivíduos (ou os seus representantes legais) que recusem a vacinação com todas ou algumas vacinas, devem assinar uma declaração de recusa, que fica arquivada no serviço de vacinação." (Recomendações finais- pág.66).
Relativamente à segunda pergunta, a resposta é menos simples: trata-se de uma decisão que caberá sempre aos pais, desde que devidamente informados.
Um ponto de partida? A página do National Vaccine Information Center, por exemplo. Não havendo uma "alternativa homeopática" às vacinas (alguma coisa específica para esse efeito), estamos em crer que  a homeopatia é, desde logo, uma garantia de que o sistema imunológico está reforçado.


 

03/01/13

"Ciência Espiritual e Questão Social - Três Ensaios" - Rudolf Steiner

"Como pode o meu trabalho servir aos outros?"


Em conformidade com as notícias que a imprensa nos tem proporcionado, começamos 2013 com a leitura de um pequeno livro de Rudolf Steiner dedicado à questão social. Nele Steiner considera que a ciência espiritual não é algo que nos deva afastar da vida prática mas sim ensinar-nos a melhor vivenciá-la. Ao contrário do erro cometido pelo engenheiro na construção de uma ponte, a que facilmente chamamos de incompetência, no campo social as coisas não são enunciáveis desta forma. À partida, o sofrimento humano (que, entre vários aspectos, decorre também de um certo sistema sócio-económico) não pode ser visto como resultado de uma mera incompetência mas sim de um pensamento "que não foi educado para a vida". Daqui que, quanto mais aprofundado for o conhecimento da ciência espiritual, melhor poderá ser a actuação social.

"De nada nos adianta perceber que as condições são responsáveis pela má condição de vida das pessoas; devemos, isto sim, conhecer as forças através das quais se podem criar condições favoráveis" afirma Steiner, sugerindo mais à frente que "a ciência espiritual deve descer do seu isolamento frio até aos homens, até ao povo; deve colocar franca e seriamente a exigência ética da fraternidade universal à frente do seu programa" sem esquecer que, embora o meio social condicione amplamente o Homem, é também o Homem que cria o meio social - ponto essencial desta reflexão. É assim de se evitar crer que o sofrimento que uma classe provoca à outra seja propositado: "as condições em que vivemos são criadas pelos nossos semelhantes; e nunca seremos capazes de criar melhores se não partirmos de pensamentos, atitudes e sentimentos diferentes". Ora, o que Steiner propõe que pensemos é na nossa própria vida, dado que também nós, em certos momentos, podemos ser os "exploradores" e não os "oprimidos", isto é, é também graças a nós que, por exemplo, certo fabricante de roupa é explorado (pense-se no calçado feito por crianças, nas grandes marcas que se mandam produzir nos países "de terceiro mundo" por mão de obra barata, etc.).

É também importante distinguir os termos "rico" e "explorador", dado que não são (necessariamente) sinónimos. Enquanto a riqueza é o resultado de certo trabalho ou, por exemplo, de uma herança, a exploração está associada à ideia de "proveito próprio". Se pensarmos no exemplo da roupa, o que Steiner nos diz é que "as condições actuais fazem parecer muito natural que eu procure pagar o mínimo possível ao adquirir uma determinada roupa. Isto significa que tenho em vista apenas a minha pessoa. Aqui está indicado o ponto de vista que rege toda a nossa vida". Ora, pese embora tudo o que tenha que ver com alterações ao código do trabalho, no sentido de proteger os trabalhadores, a verdade é que enquanto o princípio que nos mover for o do nosso próprio proveito, o problema da exploração não estará resolvido.

19/10/12

A Arte da Educação





«Ao ministrar à criança esta ou aquela matéria curricular deveremos, pois, estar conscientes de actuarmos, por um lado, sobre a integração da alma espiritual no corpo físico, e por outro sobre a integração da corporalidade orgânica na alma espiritual. 
Não subestimemos a importância do que acaba de ser dito, pois os amigos não poderão ser bons mestres e educadores se olharem para o que fazem ao invés de olharem para o que são. (...) Há uma diferença, para um grupo maior ou menor de alunos, se é este ou aquele professor que entra na classe para dar aulas. Essa grande diferença não resulta do facto de um professor possuir maior habilidade que outro nas técnicas pedagógicas exteriores; a principal diferença actuante no ensino decorre da atitude mental do professor em todo o tempo da sua existência, atitude que ele leva para a aula.»

Conferência de 21.08.1919, in A Arte da Educação I - O estudo geral do homem, uma base para a pedagogia

20/07/12

"The Good Sleep Guide, for you and your Baby"



CRIE UMA DIFERENÇA CLARA ENTRE A NOITE E O DIA

Mito: os bebés não percebem a diferença entre a noite e o dia.

Segundo alguns estudos universitários, uma das melhores estratégias para a promoção do bom sono dos bebés passa por ensinar os pais a terem uma atitude diferente durante o dia e a noite. Embora seja verdade que os bebés tentam repetir à noite aquilo que fazem durante o dia, podemos facilmente ensinar-lhes a diferença. 
O ambiente: crie uma diferença entre as sestas diurnas e o sono nocturno mantendo, no primeiro caso, a luz natural do dia e, no segundo, escurecendo o quarto o mais possível. Quando amamenta à noite use o menos luz possível, nunca ligando a luz de cima. Durante a noite mantenha o ambiente silencioso e tranquilo deixando à mão tudo aquilo de que pode vir a precisar. Se possível, tente que o recém-nascido não partilhe o quarto com crianças mais velhas enquanto os seus hábitos de sono não estiverem regularizados.
Não importune o seu bebé durante a noite: quando ele já estiver bem instalado na cama, tente não estar sempre a ir ver se está tudo bem. Use um intercomunicador para ouvir se ele começar a chorar e tente não ir ao quarto se não for esse o caso.
Aprenda a distinguir o choro dos outros sons: o bebé passará por períodos de sono leve em que poderá produzir alguns sons. Não acorra a todos estes sons mas apenas ao choro verdadeiro. 
Não interaja socialmente com o bebé durante a noite: quando amamenta durante a noite tenha um comportamento diferente daquele que teria se fosse dia. Esteja calma, não fale com ele nem interaja "socialmente". Mostre-lhe que durante a noite é para dormir e que dia é para brincar. Mude a fralda apenas se for necessário e faça-o em relativo silêncio. 
Introduza um pequeno tempo de espera antes de amamentar: quando se sentir capaz, preferencialmente por volta dos 3 meses, comece a introduzir um pequeno tempo de espera entre o primeiro sinal de choro pela mama e a amamentação. Se deseja manter o mínimo choro possível pode assegurar-lhe que está presente de outras maneiras, acariciando-o ou fazendo sons tranquilizadores.


18/07/12

Os cuidados com o recém-nascido (as cólicas)

Como vestir a criança? 
Como vimos anteriormente, o importante é manter o calor e alguma contenção. A criança arrefece com facilidade. O uso de materiais sintéticos não é indicado porque ou aquece em demasia ou arrefece, fazendo suar em vez de aquecer. O uso de roupas simples de algodão ou lã parece ser pois o mais apropriado para o bebé. 

Como devo alimentar o bebé? 
O bebé deve ser naturalmente amamentado pela sua mãe. O leite materno é o alimento por excelência que permite o desenvolvimento mais harmonioso. 

Quando devo dar banho? 
O banho diário, além de retirar a camada de gordura preciosa tanto para a protecção da pele como para a manutenção de uma temperatura estável, levando o bebé a arrefecer, deverá ser evitado.  Deve dar-se banho 2 ou 3 vezes por semana, conforme a altura do ano em que a criança nasceu. Deve usar-se um bom óleo (como o de calêndula, por exemplo) para manter a pele protegida.

A criança chora, o que fazer?
Se partirmos do princípio que a criança é saudável e está num desenvolvimento sadio, o choro é uma manifestação de fome ou de desconforto. O desconforto pode dever-se a ter arrefecido, por ter a fralda molhada ou cólicas. 
As cólicas estão normalmente relacionadas com a imaturidade do aparelho digestivo, que reage à alimentação materna - é importante, nestes casos, rever a alimentação da mãe, pois certos alimentos ingeridos passam naturalmente para o leite e podem provocar alterações. Por vezes a criança ingere ar, o que depende, entre outros factores, do ambiente à volta da amamentação. Resolve-se colocando a criança para arrotar, sem esquecer que cada criança tem o seu tempo. 
Também o frio (troca lenta de fraldas ou estar vestido de forma inadequada) é um factor que desencadeia cólicas. Não nos podemos esquecer que o bebé não foi feito para seguir a moda mas sim para estar confortável. 
Nestas situações a compressa de camomila está indicada, assim como o chá de funcho e de camomila, bebidos pela mãe.

O Recém -Nascido

 "Toda a educação é auto-educação. Nós, na qualidade de professores e educadores, na realidade, apenas formamos o ambiente em que a criança se educa a si mesma. "

Rudolf Steiner 


A criança é um ser em devir – ela quer ser, ainda não é. O recém-nascido vem de um espaço contido, quente, onde os sentidos estão ainda pouco despertos e, nos seus primeiros momentos, adapta-se a novos estímulos: som/silêncio, calor/frio, fome/plenitude, sono/vigília. Assim, o que era uno torna-se dual, tendo a criança que integrar e resolver a dualidade com a presença sempre atenta dos pais. 
A presença do recém-nascido pede calma, quietude e silêncio. Mesmo as crianças mais velhas aquietam-se e falam mais baixo na presença do bebé. A criança entregou-se com toda a confiança aos pais, que tentam dar-lhe o melhor, enquanto se questionam: O que é o melhor? Aquilo que não nos foi dado enquanto crianças? Ou, pelo contrário, aquilo que os nossos pais nos deram? 
Temos dúvidas enquanto educadores, procuramos alternativas, informamo-nos, compramos livros, pesquisamos na internet… no entanto, talvez a nossa melhor orientação seja a própria criança, que nos sugere o que deve ser feito. 



Todos os nossos procedimentos devem ser capazes de responder às seguintes perguntas:
Em que ponto se situa a criança agora?
Qual será o seu próximo passo de desenvolvimento? 

Desta forma, sabemos que o recém-nascido precisa da presença da mãe, que o amamenta. Necessita de paz, quietude, estímulos sensoriais de alta qualidade (o que significa NÃO a ruídos mecânicos, incluindo música em CD e outros aparelhos, devendo antes optar-se por cantar para o bebé); NÃO a situações de agressividade emocional; estabelecimento de ritmos seguros, quer na alimentação, quer no cuidado geral, dado que estes serão a fonte de segurança no futuro. 

O calor e a contenção são também elementos importantes, uma vez que a criança veio de um ambiente contido e fechado onde a temperatura ronda os 37°. Assim, é importante, durante os primeiros tempos, manter o bebé contido, enfaixando-o ou pelo menos criando um invólucro em que a criança se possa sentir segura e quente. 

Contrariamente ao que pensamos, o bebé recém-nascido não tem maturidade neurológica para se movimentar de forma voluntária. Aquilo que achamos serem sorrisos ou exteriorizações de desejos («Ele já quer ficar de pé!» ou «Está interessado em tudo o que acontece lá fora!») nada mais são do que reflexos congénitos, a maioria dos quais desencadeados quando movimentamos a cabeça do bebé. Neste sentido, a criança deve ser manuseada em bloco, protegendo sempre a cabeça, e nunca deve ser levantada pelas axilas ou outras partes do corpo, para evitarmos ao máximo o desencadeamento desses reflexos que fazem com que as taxas de adrenalina no sangue subam, provocando stress interno.


texto Dra. Manuela Tavares foto: Nirrimi