18/03/20


Coronavírus

Para os veterinários, os vírus corona fazem parte da vida profissional diária, mas agora o coronavírus SARC-CoV 2 ultrapassou a barreira para os humanos. O que é um vírus, como ataca o organismo humano e como podemos responder?                          12 de Março de  2020

 Os vírus estão intimamente ligados ao elemento físico do organismo. Eles originam-se da mesma substância do genoma e, como o genoma, podem influenciar o metabolismo das células, tornando-as estranhas ao organismo. Se ocorre uma infecção, o vírus penetra o organismo. O organismo reconhece que certas células foram alteradas pelo vírus, comportando-se como se não fizessem parte do todo. Inicia-se então um processo de eliminação destas células. É isto que cria os sintomas da doença: o organismo tenta livrar-se das células infectadas para se libertar dos vírus que as invadiram, e para isso lança mão, por exemplo, da tosse, febre e expectoração. Os que morrem duma infecção viral podem, portanto, ser vistos como vítimas do seu sistema imune, cuja regulação é uma expressão da organização do EU, individual, da presença do EU no corpo.

O corpo torna-se “um estranho”
Quanto mais a pessoa se encontra numa situação de alienação do seu corpo físico tanto mais ela, ou ele, serão susceptíveis a esta doença viral, agora chamada COVID-19. É claro que isso é especialmente verdadeiro para os mais idosos, quando os ossos enfraquecem e a massa muscular diminui, ou no caso de doenças crónicas.
A infecção por coronavírus é particularmente difícil de tratar em pessoas com mais de 80 anos de idade e em pessoas com diabetes tipo II ou doenças cardiovasculares. Quanto menos eu estiver presente no meu corpo – quanto menos o permeio - mais facilmente a infecção se poderá espalhar e mais sérias as suas consequências. Obviamente, é importante a forma como a pessoa que tem um teste positivo é tratada. As pessoas doentes são muitas vezes removidas abruptamente do seu ambiente doméstico e colocadas em hospitais, junto com outras pessoas doentes e com acomodação inadequada. Infelizmente, a medicina convencional não possui medicamentos úteis, nem vacina, para oferecer neste caso. Muitas vezes, a febre é reduzida usando medicamentos. No entanto, em casos graves, o uso de oxigénio e, se necessário, a ventilação mecânica temporária podem ajudar a sobreviver, e é por isso que é importante que os cuidados médicos se concentrem em pacientes mais gravemente atingidos.
Com base no que conhecemos, a ansiedade e os tratamentos com antipiréticos colocam os pacientes em risco. O que ajuda as pessoas a ultrapassar a doença é tudo o que as ajuda a penetrarem melhor o seu corpo físico, como o calor, sentindo-se mais à vontade nele. Portanto, não é de surpreender que a doença seja rara nas crianças. O que também é verdade até aos 50 anos, onde o curso da doença geralmente corresponde ao da gripe normal. Tosse, rinite e fadiga são os primeiros sintomas típicos. Além disso, a pneumonia pode ser um aspecto perigoso da doença, que é inicialmente reconhecível principalmente por uma frequência respiratória mais alta.
Este vírus tem características particularmente negativas do ponto de vista médico. Pode levar muito tempo até o organismo acordar e perceber que há um hóspede estrangeiro a bordo, ameaçando causar danos. Existe um caso conhecido de doença em que ela só se manifestou 27 dias após a infecção. No entanto, em média, esse período é de 5 dias e 95% de todos os casos manifestam-se após 12,5 dias. Portanto, os afectados ficam em quarentena por um longo período de duas semanas. Este vírus também é mais contagioso do que um vírus normal da gripe. Em média, uma pessoa com o vírus da gripe normal infecta 1,3 pessoas, enquanto alguém com o coronavírus tem mais probabilidade de infectar 3 pessoas (para uma doença altamente infecciosa, como sarampo ou tosse convulsa, o número é de 12 a 18). A taxa de infecção é, portanto, maior que a da gripe e também leva mais tempo para se manifestar. A combinação dessas características, que favorecem a disseminação de uma epidemia, deixa os médicos em todo o mundo apreensivos. 

Relação com o reino animal
No entanto, surge um grande quebra-cabeças: de onde vêm estes vírus aparentemente novos e porque se desenvolveram? Curiosamente, muitos dos vírus vêm do reino animal. O coronavírus provavelmente provém do morcego javanês. Então, porque é que os vírus do reino animal se tornam perigosos para os seres humanos? No momento, estamos infligindo sofrimento incalculável em animais: o abate em massa e a experimentação em animais de laboratório causam uma dor que e o reino animal já não pode suportar. Pode este sofrimento ter como consequência a alteração de vírus que são nativos do animal? Estamos acostumados a olhar apenas para o aspecto físico e separamo-lo da mente e das emoções. A pesquisa sobre a flora intestinal, o microbioma, que inclui não apenas bactérias, mas também vírus, prova o oposto. Isso levanta não apenas a questão microbiológica da origem do vírus, mas também a questão moral de como lidar com o mundo animal. Rudolf Steiner apontou estas conexões há mais de 100 anos. Nos dias de hoje, cabe-nos investigar essas relações e fazer perguntas mais profundas, para além da análise científica. 

O que podemos fazer?
Existem várias medidas que podemos tomar nas nossas vidas pessoais para ajudar o nosso organismo a superar a doença. Isso inclui abster-se de álcool, tabaco, moderar o consumo de açúcar e manter ritmos de vida, com sono reparador e uma relação activa com o sol. O nosso sistema imunológico sofre com a falta de luz solar, uma deficiência mais grave no mês de Março. Analisando ao longo do ano, a maior taxa de mortalidade, nas nossas latitudes, verifica-se no final de Março. O que está relacionado com a falta de luz solar durante os meses de Inverno e nos lembra que é extremamente importante sair para o ar livre todos os dias e no Inverno, se possível, ao meio-dia, conectar-se com o ambiente exterior e o cosmos. Ao fundar a Medicina Antroposófica, mesmo antes da descoberta da vitamina D. Rudolf Steiner usou a tuberculose como exemplo para explicar esse detalhe. É verdade que, para o sistema imunológico, os comprimidos de vitamina D apenas podem substituir a absorção da luz solar de forma limitada. O fósforo e o ferro meteórico dinamizados, ingeridos pela manhã, podem também apoiar o sistema imunológico, como substâncias ligadas ao elemento luminoso. Também são recomendados, para os mais idosos, com doenças cardiovasculares, remédios básicos antroposóficos para o sistema cardiovascular, caminhadas regulares e sono reparador. Os que dormem menos de seis horas são muito mais susceptíveis a estas infecções. 

Uma respiração saudável entre os seres humanos
Se a doença ocorre, a quarentena é actualmente recomendada, embora os casos leves possam, e devam, ser tratados em casa. Parece-me importante salientar que a Medicina Antroposófica tem décadas de experiência no tratamento de pneumonias virais e bacteriana sem antibióticos, com medicamentos antroposóficos e aplicações externas que podem ser extremamente eficazes. Os médicos da Secção Médica elaboraram um plano de tratamento e disponibilizam-no aos colegas, a nível internacional.
O que enfraquece os pulmões? Duas coisas: falta de relação com a terra e o sol e tensões sociais. Portanto, é aconselhável proteger os pulmões, o órgão da respiração, quer por dentro quer por fora, tentando equilibrar as tensões sociais. Na minha opinião, aqueles que estão em conflitos sociais não resolvidos estão cada vez mais em risco. A medicina promoveu a crença de que as vacinas podem proteger contra todas as infecções. É um erro. Até a vacinação contra a gripe oferece apenas uma taxa de protecção de 10 a 30%; lavagem cuidadosa das mãos e higiene ao assoar o nariz e ao tossir são igualmente eficazes - sem os possíveis efeitos colaterais da vacinação. Portanto, é um passo importante para romper esta imagem temerosa e defensiva do meio ambiente e do nosso próprio corpo, perguntarmos o que podemos fazer para apoiar a nossa vitalidade e integridade.

Georg Soldner (elemento da secção médica do Goetheanum, Suíça)
(Adaptado a partir do texto publicado originalmente na revista “Das Goetheanum”, 13 de Março, 2020)

16/03/20



“Acredito que o Universo tem a sua maneira de equilibrar as coisas e as suas leis quando estão viradas do avesso. O momento que vivemos, cheio de anomalias e paradoxos, dá que pensar. Numa altura em que as alterações climáticas causadas por desastres ambientais chegaram a níveis preocupantes, primeiro a China e depois tantos outros países vêem-se obrigados ao bloqueio. A Economia colapsa, mas a poluição diminui consideravelmente. O ar melhora; usam-se máscaras, mas respira-se.

Num momento histórico em que algumas ideologias e políticas discriminatórias, com fortes referências a um passado mesquinho, estão a reactivar-se em todo o planeta, chega um vírus que nos faz perceber que, num instante, podemos ser nós os discriminados, os segregados, os bloqueados na fronteira, os portadores de doenças. Mesmo que não tenhamos culpa disso. Mesmo que sejamos brancos, ocidentais e viajemos em classe executiva.

Numa sociedade fundada na produtividade e no consumo, em que todos nós corremos 14 horas por dia na direcção não se sabe muito bem de quê, sem sábados nem domingos, sem feriados no calendário, de repente chega o “parem”. Fechados, em casa, dias e dias. A fazer contas com o tempo do qual perdemos o valor. Será que ainda sabemos o que fazer dele?

Numa altura em que o acompanhamento do crescimento dos filhos é, por força das circunstâncias, confiada a outras figuras e instituições, o vírus fecha as escolas e obriga a encontrar outras soluções, a juntar a mãe e o pai com as crianças. Obriga a refazer família.

Numa dimensão em que as relações, a comunicação, a sociabilidade se processam principalmente no “não-espaço” do virtual, das redes sociais, dando-nos uma ilusão de proximidade, o vírus tolhe-nos a verdadeira proximidade, a real: que ninguém se toque, nada de beijos, nada de abraços, tudo à distância, na frieza do não contacto. Até que ponto dávamos por adquiridos estes gestos e o seu significado?

Numa altura em que pensar no próprio umbigo se tornou regra, o vírus envia uma mensagem clara: a única saída possível é através da reciprocidade, do sentido de pertença, da comunidade, do sentimento de fazer parte de algo maior, de que cuidamos e que pode cuidar de nós. A responsabilidade partilhada, o sentir que das nossas acções depende não apenas o nosso destino mas o de todos os que nos rodeiam. E que dependemos das deles.

Por isso, deixemo-nos da caça às bruxas, de perguntar de quem é a culpa ou porque é que tudo isto aconteceu, e perguntemos antes o que podemos aprender com isto. Creio que temos todos muito para flectir e fazer. Porque para com o Universo e as suas leis, evidentemente, temos uma grande dívida. Explica-nos o vírus, com juros muito altos.”
  
(Texto de Francesca Morelli)

13/03/20




DOENÇA POR CORONAVÍRUS 2019 (COVID-19)

No início do século passado, Rudolf Steiner, numa conferência para médicos, avisou que no futuro iríamos assistir a várias epidemias de gripe porque o Homem iria viver de forma cada vez mais artificial. De facto, desde o início do século XX até aos nossos dias, assistiram-se  a várias epidemias de gripe, algumas bem mortíferas. Neste momento é o coronavírus (CoV-2) o implicado.
Há um desconhecimento sobre esta estirpe de coronavírus. Sabemos que tem um interesse especial pelo aparelho respiratório, provocando um tipo de pneumonia com insuficiência respiratória, e é naturalmente mais mortífero para pessoas mais idosas e debilitadas por doenças crónicas.
De forma geral, provoca sintomas gripais clássicos – febre, cefaleias, mau estar geral, dores musculares.
Além das recomendações que circulam, e que juntamos no final deste texto, não esqueça que é importante ter ritmos saudáveis (ritmo é VIDA), caminhar ao ar livre (em vez de ir para o shopping), respeitem os ritmos de sono/vigília, fazer uma alimentação saudável, simples e de acordo com a estação do ano e o local. Se tiver febre, faça uma alimentação à base de sumos e frutas, evite a proteína animal.
Tenha uma atitude positiva e sensata, evite o medo, não considere o “outro” um inimigo do qual deve fugir, não se esqueça que somos todos seres humanos vivendo numa casa comum.

MEDIDAS GERAIS DE PROTECÇÃO

·    Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, durante pelo menos 20 segundos. Se não houver água e sabão, uma solução à base de álcool a 70% é recomendado;
·    Evitar tocar nos olhos, nariz e boca;
·    Cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, com um lenço de papel e deitar no lixo;
·    Limpar e desinfectar objectos e superfícies tocados com frequência;
·    Evitar o contacto próximo com pessoas doentes;
·    Evitar frequentar locais com muitas pessoas;
·    Ficar em casa quando estiver doente.

PERGUNTAS BÁSICAS SOBRE A COVID-19

visitar o sítio da DGS, em  https://covid19.min-saude.pt/perguntas-frequentes/

24/01/20


Novo HORÁRIO a partir de Fevereiro de 2020

 

RECEPÇÃO

 

Manhãs: 3ª, 5ª e 6ª feira, das 10h às 13h 

Tardes: 2ª, 3ª e 5ª feira, das 14h30 às 16h30


CONSULTAS 

 

Manhãs: 3ª, 5ª e 6ª feira, das 10h às 13h 

Tardes: 2ª, 3ª e 5ª feira, das 15h às 19h 

 

Para marcações, por favor ligar para 21 797 1719, durante o horário da recepção.
Para mais informações, temos também disponível o seguinte email: consultorio.rafael@sapo.pt.

19/12/19

Boas Festas 2019

Que esta época Natalícia desperte em cada um de nós os melhores sentimentos e que eles fiquem no nosso coração para serem vividos e partilhados durante o próximo Ano!

                      (O Consultório vai estar encerrado para férias. Reabrimos a 6 de Janeiro.)

24/06/19

VACCINE ILLUSION
Drª Tetyana Obukhanych



Motivada pela necessidade de entender a razão pela qual acabou contraindo algumas das doenças infantis, apesar de ter sido vacinada, a Drª Tetyana (cientista e investigadora em Imunologia) realizou uma investigação completa do conhecimento disponível sobre vacinação e imunidade naturalmente adquirida.
Em “Vaccine Illusion, a Drª Tetyana articulou uma visão baseada na ciência que desafia o dogma convencional da imunidade para a vida, atribuída às vacinas.
http://www.tetyanaobukhanych.com

10/04/19


CONTAMINAÇÃO CRÓNICA POR GLIFOSATO EM PORTUGAL
100% de contaminação com esta substância cancerígena
 A Plataforma Transgénicos Fora lançou uma iniciativa em 2018 para testar a presença de glifosato em voluntários portugueses. As análises, realizadas em julho e em outubro com o mesmo grupo, demonstram uma exposição recorrente ao herbicida e apontam para uma contaminação generalizada por glifosato em Portugal.
Pela primeira vez em Portugal foi possível calcular os valores de exposição efetiva ao glifosato (que levam também em consideração o AMPA - substância em que o glifosato se transforma quando começa a degradar-se) e os resultados, quando comparados com outros países europeus,(1) mostram uma diferença preocupante: enquanto que na média de 18 países se verifica que 50% das amostras estão contaminadas, as duas rondas de testes em Portugal estavam acima desse valor – e em outubro a contaminação foi detetada em 100% das amostras, tal como apresentado na imagem abaixo.

O glifosato é o herbicida mais usado em Portugal e causa cancro em animais de laboratório, estando classificado pela Organização Mundial de Saúde como carcinogéneo provável para o ser humano.(2) Embora a Comissão Europeia tenha chegado a conclusão diferente, informações recentes mostram que essa avaliação científica resultou de graves conflitos de interesses, ao ponto de plagiar sistematicamente os pontos de vista da indústria.(3)
O valor médio da contaminação das amostras foi de 0,35 ng/ml em julho (valor mais alto: 1.39 ng/ml) e de 0,31 ng/ml em outubro (valor mais alto: 1,20 ng/ml), o que é cerca de três vezes (300%) acima do limite legal na água de consumo.(4) Considerando apenas as crianças verifica-se que em julho estavam próximo da média, enquanto que em outubro estavam claramente acima (com 0,44 ng/ml). O facto de existir uma contaminação considerável em crianças já tinha sido detetado em 2016(5) e é um sinal de alerta para a necessidade de conhecer melhor qual a exposição real da população portuguesa em termos de estratificação etária, ao longo do tempo e nos diferentes pontos do país.
Contaminação permanente
Tanto quanto se sabe a maior parte do glifosato ingerido ou inalado pelo organismo é excretado pela urina em menos de um dia. Isso significa que a contaminação detetada na segunda ronda de análises provém de novos contactos com o herbicida. Quando se deteta contaminação ao longo do tempo isso significa que houve exposição sucessiva do organismo – ou seja, há glifosato a recontaminar constantemente a população portuguesa.
Os voluntários de 2016 e de 2018 revelam dimensões diferentes da população nacional. Em 2016 anos houve uma amostragem tão aleatória quanto possível: nenhum dos voluntários escolhidos consumia agricultura biológica ou estava ligado a alguma corrente ou preocupação particular com a alimentação. Já em 2018 os participantes inscreveram-se por iniciativa própria e tiveram de pagar o custo da 1a análise (78.20€). Cerca de 80% dos inscritos identificaram-se como consumidores de alimentos biológicos com alguma regularidade.
Em termos de resultados os participantes de 2016 estavam significativamente mais contaminados, o que aponta para um possível efeito protetor nos consumidores de agricultura biológica. Por outro lado a alimentação não é o único veículo de contaminação: a água e o ar são fontes igualmente relevantes e a época do ano também tem influência (usa-se mais glifosato no início da primavera, precisamente a altura em que as análises de 2016 tiveram lugar).
A coordenadora da campanha Autarquias Sem Glifosato/Herbicidas, Dra. Alexandra Azevedo, alerta: "Tivemos conhecimento de análises em águas superficiais na bacia do rio Douro que revelam contaminação 70 vezes acima do limite máximo legal. Ainda há autarquias que lavam as ruas com glifosato mas já há outras que abandonaram os herbicidas e provam no terreno que as alternativas existem."(6)
A bióloga Margarida Silva, da Plataforma Transgénicos Fora, lembra: "A ciência mais recente mostra que o glifosato altera profundamente a composição do nosso microbiota gastrointestinal. Quando esse equilíbrio fica comprometido podem surgir doenças graves, desde diabetes tipo 2 a aterosclerose, a obesidade e até cancro. Que mais evidências são necessárias para que o governo cumpra a sua função de proteger a nossa saúde?"
Apelo ao governo
É verdade que o trabalho realizado pela Plataforma Transgénicos Fora não permite retirar conclusões finais, mas o peso das evidências não pode ser ignorado. Desde 2016, em que a Plataforma mostrou pela primeira vez que a situação portuguesa era inesperadamente preocupante, não foram ainda tomadas pelos responsáveis governamentais quaisquer medidas que permitam desvendar o que se passa de facto no país e iniciar um caminho de redução do uso dos herbicidas à base de glifosato.
Neste contexto, a Plataforma Transgénicos Fora apela ao Governo Português para:
1. Lançar um estudo abrangente sobre a exposição dos portugueses ao glifosato.
2. Proibir a venda de herbicidas à base de glifosato para usos não profissionais.
3. Tornar obrigatória a análise ao glifosato na água de consumo.
4. Acabar com o uso de herbicidas sintéticos na limpeza urbana.

5. Apoiar os agricultores na transição para uma agricultura pós-glifosato nos próximos anos.
Como proteger-se do glifosato e seus efeitos
A Plataforma Transgénicos Fora divulga também hoje um documento com sugestões detalhadas para quem estiver interessado em limitar a sua exposição ao glifosato. O documento pode ser descarregado em https://tinyurl.com/pistas2019
Referências
(1) Hoppe, H-W. (2013). Determination of Glyphosate residues in human urine samples from 18 European countries. Report Glyphosate MLHB-2013-06- 06. Medical Laboratory Bremen, Haferwende 12, 28357 Bremen, Alemanha, 12 de junho. https://tinyurl.com/hoppe2013
(2) Guyton, Kathryn Z., et al. (2015). "Carcinogenicity of tetrachlorvinphos, parathion, malathion, diazinon, and glyphosate." The Lancet Oncology 16.5: 490-491.
(3) Ferreira, Ana B. (2019). Glifosato. Especialistas contratados pela UE copiaram relatórios da Monsanto. Diário de Notícias, 15 de Janeiro. https://tinyurl.com/yblgc2kf
(4) O limite imposto pela Directiva 98/83/CE do Conselho de 3 de novembro de 1998 relativa à qualidade da água destinada ao consumo humano é de 0,1 ng/ml.
(5) Plataforma Transgénicos Fora (2016). Glifosato: o herbicida que contamina Portugal. 29 de abril. https://tinyurl.com/glifosato2016portugal
(6) O mapa das autarquias que aderiram ao compromisso de não usar glifosato e outros herbicidas está em https://tinyurl.com/autarquiasmapaglifosato
A Plataforma Transgénicos Fora é uma estrutura composta por voluntárias/os que oferecem o seu tempo para uma luta que é de todos. São estas as entidades não-governamentais da área do ambiente e agricultura que apoiam formalmente o trabalho da Plataforma: AEPGA, Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino; CAMPO ABERTO, Associação de Defesa do Ambiente; CNA, Confederação Nacional da Agricultura; CPADA, Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente; GAIA, Grupo de Ação e Intervenção Ambiental; GEOTA, Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente; LPN, Liga para a Proteção da Natureza; MPI, Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente; PALOMBAR, Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural; QUERCUS, Associação Nacional de Conservação da Natureza e ZERO, Associação Sistema Terrestre Sustentável. Contactos: info@stopogm.net e www.stopogm.net


ALGUMAS PISTAS PARA REDUZIR
 A EXPOSIÇÃO AOS HERBICIDAS À BASE DE GLIFOSATO
(e ajudar o organismo a lidar com o que entrar)
Neste documento encontra alguns conselhos que irão ajudar a reduzir a exposição e impacto do glifosato. Esta lista não é exaustiva, nem é preciso fazer tudo o que está indicado para receber benefícios. Basta escolher alguns dos itens – os que pode incorporar no seu dia-a-dia desde já sem dificuldade – e depois ao longo do tempo tentar introduzir mais algumas mudanças. Como não há limiar de segurança, qualquer passo na direção certa já vale a pena.
O glifosato pode ser inalado (quando é pulverizado em ruas ou jardins, por exemplo) ou ingerido (através da comida, água ou, por exemplo quando uma criança brinca em áreas previamente tratadas e leva as mãos à boca). O glifosato, depois de aplicado, está presente nas folhas, sementes, frutas e até na carne. Os resíduos não se removem com lavagem nem se degradam durante o processamento alimentar (por exemplo, ao ferver os alimentos). Na verdade não desaparecem sequer ao fim de um ano em alimentos congelados ou desidratados.1
💥 Não use herbicidas como o Roundup. O Roundup é o herbicida à base de glifosato mais conhecido, e vende-se livremente nos supermercados. Mas muitos outros herbicidas têm glifosato na sua composição – assim como outras substâncias igualmente nocivas. Por isso a regra é simples: o melhor glifosato é aquele que não é usado.
Se quiser ir mais longe: deixe também de usar inseticidas, fungicidas... pesticidas sintéticos em geral, seja em casa, na horta ou no jardim.
💥 Se mora em zonas rurais, afaste-se ou mantenha-se dentro de casa com janelas fechadas enquanto algum vizinho estiver a pulverizar pesticidas. O glifosato é particularmente tóxico se for adquirido através da inalação.2
Se quiser ir mais longe: converse com os seus vizinhos que usam pesticidas e ajude-os a encontrar alternativas economicamente viáveis que sejam também compatíveis com a saúde e o ambiente.
💥 Lave as mãos antes de comer e depois de jardinar ou brincar/passear em parques ou outras zonas públicas de lazer. Algumas autarquias portuguesas não aplicam herbicidas (veja lista em https://tinyurl.com/quercusglifosato) mas infelizmente a maioria ainda usa (e a maioria das que usam... usa glifosato).
Se quiser ir mais longe: pergunte à sua câmara municipal porque é que ainda não abandonou os herbicidas sintéticos na limpeza de espaços públicos (se for o caso). Esses químicos, de acordo com a Lei 26/2013, só podem ser empregues em último recurso ("Em zonas urbanas e de lazer só devem ser utilizados produtos fitofarmacêuticos quando não existam outras alternativas viáveis, nomeadamente meios de combate mecânicos e biológicos.").
💥 Quando entra em casa, descalce os sapatos e mude para calçado de interior. Ou seja, separe o calçado que vai à rua do que usa em casa. Assim alguma contaminação que vier agarrada às solas não passa da porta.
💥 Na medida do possível aumente o consumo de alimentos produzidos por agricultura biológica certificada. Este modo de produção não permite o recurso a pesticidas químicos de síntese, o que inclui o glifosato. Embora exista por vezes contaminação residual (até a água da chuva pode transportar glifosato) as evidências apontam para uma carga química muito inferior nos produtos bio. De facto, a transição de uma dieta convencional para uma biológica (ou seja, em que pelo menos 80% dos alimentos são de origem biológica) reduz cerca de 90% da exposição aos pesticidas (em apenas uma semana).3
💥 No caso dos alimentos de origem animal (carne, leite, ovos e derivados), se não tem acesso a pecuária biológica, escolha opções em que os animais vivem ao ar livre e com acesso a pastagens, ou seja, em que a alimentação não é à base de rações. Em Portugal os principais ingredientes das rações animais são OGM (organismos geneticamente modificados, também conhecidos por transgénicos). Os OGM são, na sua maioria, tolerantes ao glifosato. Isso significa que, contrariamente às culturas convencionais, o glifosato é aplicado ao longo do ciclo de crescimento das plantas: é inevitável que o produto final acabe por apresentar doses de herbicida muito significativas.
Os OGM não são usados apenas para rações. Em Portugal vale a pena ler os rótulos: se mencionar "soja geneticamente modificada" ou "milho geneticamente modificado" é melhor não comprar. Alguns OGM não levam glifosato mas como a rotulagem não diferencia, a única forma de evitar o acréscimo de glifosato é evitar todos os OGM. Atualmente os OGM encontram-se sobretudo na secção dos óleos alimentares.
💥 Modere o consumo de pão, batatas e cereais não biológicos (quer sejam integrais ou refinados). Vários estudos laboratoriais têm comprovado a presença regular de glifosato nestes alimentos, mesmo não sendo transgénicos.4
Se quiser ir mais longe: pergunte ao supermercado ou marca alimentar da sua preferência se as batatas e os cereais (trigo, aveia, arroz, milho, e seus derivados) que leva para casa foram pulverizados com herbicida previamente à sua colheita. Esta prática (conhecida por dessecação) está autorizada em Portugal na batateira e muitos países permitem-na em culturas cerealíferas. Como os cereais formam de facto a base da alimentação (farinhas, pão e broa, massas, flocos de aveia, papas infantis, corn flakes e cereais de pequeno almoço, arroz sob todas as formas, etc), a dessecação é das principais responsáveis pela presença de glifosato na alimentação.
💥 Cozinhe em casa com alimentos em que possa ter confiança. Comer fora, em cantinas ou restaurantes, significa ter pouco ou nenhum controle sobre os ingredientes que lhe chegam ao prato. Se estiver fora à hora da refeição talvez possa organizar o dia de modo a levar consigo a sua marmita quando sai de casa.
Se quiser ir mais longe: embora nem todos consigam, é possível para muitos cultivar uma pequena horta. Seja na varanda, ou em vasos à janela, vale a pena produzir algumas das plantas que consome – e neste caso tem 100% de certeza que não foram usados quaisquer herbicidas.
💥  O glifosato consegue matar as plantas porque se liga ao manganês, um elemento metálico existente na Natureza. Esta reação (que faz com que o glifosato seja conhecido como "agente quelante") efetivamente reduz o teor de manganês disponível para as reações químicas normais das células vegetais, que acabam por morrer.5 Mas as células humanas também precisam desse elemento logo faz sentido incluir regularmente na sua alimentação produtos ricos em manganês, como batata-doce, frutos oleaginosos, grão-de-bico e sementes, entre outros. 
 
 💥 Embora não seja usado comercialmente como antibiótico, o glifosato tem essa característica (descrita na própria patente).6 Também se sabe que o glifosato aumenta a resistência dos micróbios a outros antibióticos.7 Por isso é sensato incluir alimentos probióticos na alimentação, nomeadamente alimentos fermentados (iogurte simples, chucrute, picles, kombucha, miso... sobretudo se não forem aquecidos ou pasteurizados).
💥 A glutationa é uma molécula com função antioxidante muito importante para o organismo humano.8 Se não existir glutationa suficiente as células e tecidos podem sofrer danos devido ao glifosato. Para potenciar a produção de glutationa pelo organismo deve comer alimentos ricos em enxofre tais como alhos, cebolas e crucíferas (couves, nabos e demais hortícolas desta família). Também alimentos ricos em soro de leite, como o requeijão, contribuem para facilitar a síntese de glutationa.
Se quiser ir mais longe: use diariamente curcuma, ou caril à base de curcuma, na alimentação. Estas especiarias indianas têm muitas outras vantagens para a saúde, por isso os benefícios são múltiplos.
💥 Ninguém pode passar sem água. Mas em Portugal não é obrigatório, para já, analisar a água da rede pública ou a água engarrafada para se saber quanto glifosato contém. No entanto existem regras: segundo a Diretiva 98/83/CE a concentração de glifosato não pode ultrapassar os 0.1 ng/ml (nanogramas por mililitro) na água de beber. Vale por isso a pena perguntar à sua câmara ou serviço municipal, num email simples, se a água que lhe chega a casa cumpre esse limite. Normalmente não lhes cabe a eles fazer esta análise, mas é certamente da sua responsabilidade preocupar-se com o problema e informar o público a esse respeito.
Como o glifosato é excretado pelos rins, beber bastante água diariamente vai ajudar a removê-lo do organismo. Mas claro, a água não pode ser ela própria uma fonte de contaminação.
Se quiser ir mais longe: insista junto dos responsáveis camarários para que exijam à entidade responsável pela gestão da água em alta a realização das análises e publicação dos resultados. O trabalho tem de ser ser feito por laboratório acreditado, em diferentes meses (o uso do glifosato não é uniforme ao longo do ano), em cada uma das captações de água e abranger também o AMPA (a substância em que o glifosato se transforma quando se degrada).
Referências
1. Krüger, Monika, et al. "Detection of glyphosate residues in animals and humans." Journal of Environmental & Analytical Toxicology 4.2 (2014): 1.
2. Koller, Verena J., et al. "Cytotoxic and DNA-damaging properties of glyphosate and Roundup in human-derived buccal epithelial cells." Archives of toxicology 86.5 (2012): 805- 813.
3. Oates, Liza, et al. "Reduction in urinary organophosphate pesticide metabolites in adults after a week-long organic diet."Environmental research 132 (2014): 105-111.
4. Myers, John Peterson, et al. "Concerns over use of glyphosate-based herbicides and risks associated with exposures: a consensus statement." Environmental Health15.1 (2016): 19.
5. Shehata, Awad A., et al. "The effect of glyphosate on potential pathogens and beneficial members of poultry microbiota in vitro." Current microbiology 66.4 (2013): 350-358
6. https://gmoanswers.com/ask/why-did-monsanto-patent-glyphosate-antibiotic-also- medical-establishment-has-been-preaching
7. Kurenbach, Brigitta, et al. "Herbicide ingredients change Salmonella enterica sv. Typhimurium and Escherichia coli antibiotic responses." Microbiology 163.12 (2017): 1791- 1801.
8. El-Shenawy, Nahla S. "Oxidative stress responses of rats exposed to Roundup and its active ingredient glyphosate."Environmental Toxicology and Pharmacology 28.3 (2009): 379-385.
Preparado por:
Plataforma Transgénicos Fora
Fevereiro de 2019
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